19 de março de 2019

As crias disseram-lhe "feliz dia do Pai"

E ele respondeu-lhes, depois de agradecer "a vossa Avó faria hoje 84 anos".

(É por estas e outras que o Homem terá sempre o seu especialíssimo  lugar de honra na minha consideração e carinho, é por estas e outras que um divórcio não anula, de todo, o que duas almas cresceram em conjunto e se sabe que conjunto continuarão, pese embora o caminho de cada um, é com estas e outras que uma pessoa confirma ter, um dia, posto a sua fasquia à altura certa e, entre uma lagrimita e outra, agradece ao seu próprio Pai, por lhe ter ensinado ser-lhe terminantemente proibido, baixa-la). 




18 de março de 2019

Coisas que me lembro assim do nada, nomeadamente quando estou a estender roupa ou

tiro uma bequita do meu tempo pra ler meu amado Pipoco [e mais os comentários de suas pipoquettes, aquelas queridas tão fofinhas, sempre tão prestáveis, tão nhãmy-nhãmy caté apetece comer, benzás deus nosso senhor jesus cristo das carências] naquelas divagações profundérrimas sobre as suas incursões mais do mesmo às várias regiões do mundo, blablabla ai que giro, com que o garanhão, volta e meia, resolve brindar a bloga:  

Pás, ó pessoal da TVI, uma vez que aparentemente está decidido terem os incautos que sintonizem o vosso canal que levar com programas de merda, não podiam pelo menos puxar um soprito por vossas monas e lembrarem-se, por exemplo, de por um pai a escolher as meninas prós seus filhotes, ou, sei lá, alguém gay a escolher um amor, com ajuda parental?

'Tou só a dizer, ok..? 

Acho essa bosta de modelo que compraram hiper preconceituosa, para além de tudo o resto de bradar aos céus de tão mau, que tem.


Pronto, é tudo, por aqui me fico hoje,  enquanto ao meu  valioso contributo à airosa sociedade em que vivemos. 

Jinhos.

7 de março de 2019

Um País que cria um dia de luto nacional pelas vítimas de violência doméstica

Está, quanto a mim,  simplesmente a admitir a sua desmesurada inoperância enquanto  às abordagens que tem desenvolvido para a resolução do flagelo. 

Não me parece que precisemos de um dia de luto pelas vítimas de algo que depende exclusivamente do livre - arbítrio de cada um. Do que precisamos é da revisão da Lei,  de forma a que, até que o livre - arbítrio se mova pela consciência do quão errado é exercer a violência, seja a que nível for, a mesma se aplique, inexoravelmente, e livre de adaptações a crenças pessoais. 
Precisamos de tribunais próprios, exclusivos para o tratamento de uma questão que envolve até,  tantas vezes, o futuro de menores.  

Esta, ou qualquer outra sociedade, não devia contentar-se com o afastamento de um juiz, ou com a incrementação de dias estrategicamente produzidos a fim de se acalmarem dores. 

Não acalmam, meus senhores. Não acalmam. Dia de luto pelas vítimas de violência doméstica, devia ser cada um dos dias em que uma se declara assim; "vítima de violência doméstica". Ou seja, o ano inteiro, se se levar em conta as tantas de que não temos conhecimento.




       

4 de março de 2019

E quando se pensa em Dia da Mulher, haverá algo mais interessante, original e acima de tudo, propositado, do que oferecerem-nos workshops de unhas de gel ou maquilhagem?



Talvez, talvez... mas só se for num País estupidamente civilizado, instruído, enfim,  sem piadinha nenhuma. Neste é assim. E para as que apreciam estar na "retaguarda" das coisas, adoram que o seu companheiro faça um brilharete do caralho em termos laborais - porque afinal os seus sucessos são também os delas, ainda que um dia se vejam na mais absoluta merda em termos financeiros,  caso as coisas deem para o torto nas suas lindas historietas de "Amor"- uma pessoa sugere que Luz se faça sobre a arte da micropigmentação das sobrancelhas, ou, em caso de contenção de custos, a desviem para os inequívocos prazeres do grandioso Bolo de Ananás, ou  ainda para os segredos dos vincos a preceito nas manguinhas das camisas de seus cônjuges. 

Ya. Estou possessa. De júbilo. 

«A Direção da Associação Sindical dos Juízes Portugueses coloca-se ao lado do juiz Neto de Moura e afirma que o “direito de criticar não permite o insulto”.



Coitadinho do juiz Neto Moura, que o achincalharam tanto em praça pública... Foi um "abuso". Um "exagero". Até mesmo porque, de acordo com  o seu advogado, a criatura  respeita quem possa ter uma decisão jurídica diferente da dele ou até mesmo o cidadão que se insurja, cá agora opiniões mais inflamadas é que não, que parece ser de mau tom, praticamente uma violência, é assim como se o estivessem a apedrejar, logo a ele, que nem é mulher nem nada - imagine-se! - e cumpre com a coisa penal à letra, a qual, tudo parece indicar trazer apensa a seus prezados testículos, no direito a Bíblia, e no esquerdo a devida adaptação da dita às suas decisões de merda enquanto juiz. Se ao atrás descrito acrescentarmos sua opípara benevolência ao aceitar que nos insurjamos enquanto às suas demonstrações de puro machismo, as quais denomina de "Lei", ainda que deixando por nossa conta o deslindar do como o faríamos*, de facto não se vê razão nenhuma para aqueles exageros, certo?  

*[Talvez fofinhas missivas, começadas por Excelentísso Honorável Senhor Juiz,  seguida por permita-me Vossa Excelência dirigir-me ao si, Meretíssimo, no seguimento da sua decisão X,  protestando, com gritante veemência, o que me pareceu ser uma sua  evidente lacuna  no que ao tema "Mulheres" concerne, expectante, desde já, pelo seu perdão, pois sei-me tão só comum cidadão completamente  desfasado da realidade da Lei e seus meandros, apelando, por aquele tanto e mui humildemente à sua tolerância, devido à forma insurrecta - vá, digamos assim - mas, todavia, e de acordo com o que vou captando por aqui e ali, sobre  inerências várias derivativas do estado de direito em que vivemos. 
Sabendo de seus doutos deveres e consequente escassez de tempo,  passo então a explicar-me, antecipadamente agradecido de sua inestimável atenção]. 

Acontece que enquanto nos decidimos pela abordagem mais adequada aos sentires do senhor - para além da do silêncio absoluto, como me parece ser o mais condicente com a sua vontade -  uma mais terra-a-terra afigurou-se, a muitos, como a mais viável, talvez por se subentender - sabe-se só agora que, aparentemente, muito mal - ser-se também de péssimo gosto  e extremamente insultuoso, escrutinar-se a Lei em conluio com convicções pessoais.     


Pois está claro que não. 
Insulto, consiste exclusivamente no acto de se ultrajar alguém por intermédio de adjectivos menos delicados. Deixemos, portanto,  para análise posterior o que os moveu, ou de quantas formas e a quantos níveis todas as mulheres que sentiram na pele o enxovalho praticado pelo indivíduo num Tribunal, quando as apoucou, humilhou ou envileceu com as suas considerações e decisões,  matizando os mesmos sentimentos - e outros, idênticos ou ainda piores - que lá as levaram, convencidíssimas de que efectivamente a violência doméstica constitui crime, tenha lá ela os contornos que tiver. Estavam - estamos - erradas,  uma vez que,  acordo com o cidadão numa das quantas decisões tomadas,

A única situação devidamente concretizada, de violência física (aquela que, normalmente, é mais grave e tem consequências mais nefastas) é ocorrida em abril ou maio de 2016, em que o arguido desferiu vários socos em C…, atingindo-a nas diferentes zonas da cabeça, incluindo ouvidos, provocando-lhe perfuração do tímpano esquerdo, além de edemas, hematomas e escoriações”, 

e isto, caríssimos concidadãos, parece configurar cousa de pouca monta. Nada que justifique uma pulseira electrónica no criminoso [que se calhar até nem o é, enervou-se ali por uma beca e pronto, ora agora ...] quanto mais num "estado de direito" revoltarmo-nos com estes insultos  [que em calhando não o são, muito embora eu leia ali,  deveras escarrapachado e de forma assaz implícita algo como andor megera, és gaja! como e cala-te, mesmo que não explícito] e pormo-nos a dizer de nossa justiça, julgando usufruir algum tipo de legitimidade quando manifestamos o nosso mais profundo asco, à laia de uma qualquer metáfora simbolizando o perfurar de um tímpano. 

Não se pode. 

É crime dizer-se que um filho de uma puta, o é.   

Ora tomai nota.   

27 de fevereiro de 2019

"Não se pode ter tudo"

E se dúvidas houvesse, a opinão de Joana Bento Rodrigues no Observador,  dissipou-as por completo. 


Eu, Isa,  me confesso prostrada perante tal demostração do quanto se pode não ter.