21 de maio de 2018

Claro que também tenho umas coisas a dizer sobre o casamento real

Adorei tudo, mesmo  apesar do percalço inicial - que consistiu em a minha filha achar que eu ia seguir o evento através da merda da TVI e mais os seus comentadores que nem precisam de abrir a boca pra retirar o brilho a seja o que for -, o que derivou num tremendo vómito e um grito histérico da minha parte "SKY NEWS, CATANO!", ao qual a cria obedeceu de imediato, deixando-me e mais às minhas neuroses, sozinha na sala. No céu, portanto. 

Adorei tudo, dizia eu, a noiva que estava espectacular naquele vestido de simplicidade imaculada, corte impecável, adornado tão só por aquele sorriso estonteante para o qual não me cansei de olhar e espero que ele também nunca se canse, respectivo véu, mais a tiara da rainha não sei quantas, e , naturalmente, o bouquet. Logo aí, assim que lhe pus ojólhos em cima, realizei que o que se me escorria pela face eram mesmo lágrimas - embora estivesse já desconfiada, pois que mesmo com esta camada de sinusite, seria muito estranho o início do processo ter-se dado justamente quando vi o Harry a entrar na magnificente St. George's Chapel, mais o irmão - e até ao fim foi um não parar de choraminguice, com as filhas a olharem pra mim incrédulas. A Mãe da noiva, o discurso do Bispo, as músicas, a noiva a entrar sozinha na Igreja, os putos que a acompanhavam,  aquelas duas mãos que não se largavam, deram cabo de mim, confesso. O segundo vestido aniquilou-me por completo. Toda a preparação daquele casamento  foi notoriamente pensada ao milímetro - como só os britânicos sabem fazer, aliás - muito especialmente um casamento propulsor de uma série de mensagens de mudança, e que, penso que por isso, sem a menor necessidade  de mais ostentação que não aquela. Perfeito. Tudo perfeito. 
Só me aborreceu ter que voltar à realidade e dar por mim a ouvir a nossa tão ultrapassada Júlia Pinheiro, já terminada a cerimónia mas ela ainda lá e em directo,  sabem só os deuses porque caralho, naquele exercício tão popular que consiste em dizer-se necessariamente mal de algo, sobretudo se num contexto de regozijo geral, partilhando a sua estranheza salpicada de algum desagrado,  enquanto ao fim de quantos encontros os noivos se teriam envolvido. (Parece ter sido ao fim de 3, a criatura acha pouco, aquilo estava a incomoda-la, e pronto, tinha mesmo que sair).  Justificou aquela cagada de opinião pessoal em exercício dos seus deveres enquanto funcionária de uma estação televisiva, dizendo que é de outra geração, o que, suponho, lhe garante o direito de debitar inutilidades, nomeadamente as que possam dar azo a pressupor-se que na sua geração não se deu conta de  quem pinasse no 1º encontro, ou mesmo que haja alguma etiqueta exclusivamente do conhecimento de sua Exª, quanto ao número necessário para o efeito. Palavra que não compreendo como é que mandam aquilo pra acompanhar um acontecimento daqueles, mas hey. Gostei do vestido dela, todavia,  uma pena ele não o tivessem mandado pra lá sozinho. Bom, a este vómito juntaram-se outros,  naquela de os deuses terem bem a certeza que aqui a nina já saíra do conto de fadas e podia muito bem ir pensando no jantar, derivantes dos comentários das milhentas pirosas que pululam este nosso tão lindo País, que ora esperavam mais do vestido em virtude do preço deste (socorro), ou os das estilistas de alta costura aos sábados, que discorreram faltar ali um cinto fininho, por exemplo,  com uns brilhantes , e repito: uns brilhantes (a sério, matem-me de uma vez), talvez uns brincos maiores,  ou quiçá uma gargantilha (pode ser electrocutada, juro que não me importo). Também li de quem não tivesse gostado das mangas, porque, e cito "não pareciam dela", (perdoa-a Givenchy, não sabe o que diz, vê pelo lado positivo: não ressuscitará ao 3º dia), houve quem pensasse e ainda por cima escrevesse, ter esperado que a moça trouxesse uma "laçada à cintura". Tentei imaginar um vestido, nun casamento real, na realeza britânica, com "uma laçada à cintura", e estava eu neste genocídio a todos os recantos da minha sensibilidade,  quando as miúdas retiraram do meu alcance qualquer dispositivo com acesso às redes sociais, em virtude do tom verde que de mim se ia apoderando. 

Prometi-lhes que não leria mais baboseiras, devolveram-me as cenas e eu fui rever, rever, rever, rever, rever e tornar a rever aquela cena toda, coisa mai linda. Snif, pás, snif! 




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