quarta-feira, 5 de julho de 2017

Procurei, indaguei, perscrutei

E diz que sim, que o armamento também sucumbe a prazos. Ufa. Mesmo sem a certeza de ter sido o caso que o último escândalo condizente com a república das bananas em que o meu querido País se vai revelando, quero acreditar que existem paiós para material inactivo,   que esses é que foram roubados, talvez por estar lá escrito "para eventuais roubos, é aqui", e que agora podemos concentrar as nossas prezadas energias no como é que aquilo foi acontecer. Entretanto o ministro dos Negócios Estrangeiros veio acalmar-nos, dizendo que a outros Países membros da Nato também já desapareceu armamento (li só as gordas - porque me identifico - sem esmiuçar a reportagem, devido a que ultimamente ando com enjoos matinais), o que me fez sentir  francamente melhor. É sempre bom encontrar-se paralelos na merda, sendo de se levar em consideração, no entanto, que não é uma merda qualquer, é a Nato. Uma pessoa lê aquilo, "Nato", e, ainda que inconscientemente, põe-se em sentido, faz uns segundos de silêncio, bate continência, enquanto sente na corrente sanguínea todo o fulgor derivante da sensação de orgulho e pertença - mais ou menos como o contraste que nos injectam quando fazemos uma ressonância magnética ou uma TAC - vai a correr verificar quais os Países membros da Nato, e pode finalmente respirar fundo, pensando, "Ahhhhhh.. porra! Então se isto pode já ter acontecido na Turquia, por exemplo, carago, para quê tanto fuzué com o assunto, pô?!", faz uma oração pelos 5 comandantes exonerados dos seus cargos, sente um aperto no peito devido às suas carreiras destruídas, solidariza-se com o depôr de espadas a acontecer em Belém, em protesto àquelas exonerações, lacrimeja uma beca, contorna - como convém  neste País de Fado - o facto de que quando se fala de militares, não se estar exactamente a falar de governos, que aqueles gajos são muito dados a cenas como Honra e etc, que é óbvio ter que se encontrar bodes expiatórios, e que esse particular está intrinsecamente conectado com o particular de quem lidera qualquer coisa, ser responsável pelo que lidera, independentemente do que possa, eventualmente, ter ou não sido de seu conhecimento e/ou controle, dizia eu então, que uma pessoa interioriza tudo isto muito bem interiorizado, e mesmo que nada faça muito sentido ou adiante pentelho que seja à resolução ou apuramento de questão alguma, pronto, já fez o seu exercício mental diário, pode voltar a sentir-se um cidadão em usufruto da democracia.
Claro que os mais afoitos podem ir um bocado mais além - há sempre um mais afoito armado em parvo com associações imbecis e despropositadas, como se não houvesse cerveja no mundo pra todos, memo estúpidos credo -  e lembrarem-se que qualquer Presidente deste país é o Comandante Supremo das Forças Armadas e tal, mas creio que, como sempre, depressa se arrependerão desse exercício extra,  uma vez que, no caso,  algum lapso de memória em relação a isto de quem por direito, será por todos perfeitamente compreendido. Afinal, o actual anda com imenso trabalho no terreno, confortanto meio mundo. É Presidente, não é Deus. Mesmo que pareça muito, devido à sua omnipresença e àquele abracinho apertado prenhe d'emoção, certo é que ainda não faz milagres. Lá está.  Porque se fizesse,  o nosso Primeiro Ministro não tinha  abalado pra férias, contrariando as exigências presidenciais, expressas através daquelas palavras firmes, de quem manda e sabe impôr os seus desígnios,  que foram algo como "Sobre tudo Mas tudo é tudo" e  "antes das férias". Palavras certas no momento certo. Palavras com pulso, "Que-ro-tu-do-an-tes-das-fé-ri-as!". Bom, verdade seja dita, podia não estar a referir-se àquelas férias em particular. Uma pessoa nunca sabe. Ou nem às deste ano. Ou podia  estar a referir-se às nossas, e não se soube explicar. 

Num registo mais sério e por fim,  não posso deixar de expressar o meu mais profundo descontentamento e tristeza com tudo isto. Vivo num País onde nada funciona, e a culpa é sempre do anterior. Somos cerca de 92.000k2 de gente que se senta à mesa, sem saber o que há pra comer. Ou se há. Onde perdemos tempo a discutir cores políticas, ao invés de exigirmos respostas. Onde se traga vorazmente,  e fomenta, sensacionalismos e tendenciosismos  mediáticos. Esmiuçamo-nos em mil questiúnculas, sem que se perceba ninguém a fazer perguntas fundamentais, e a repeti-las incansavelmente, até à  resposta aceitável. Não se ouve alma nenhuma que diga: - Não me interessa de quem é "a culpa", se é laranja, verde ou às riscas. O que quero saber é: O que se está a fazer, AGORA,  para se evitarem futuras culpas? 

Nasci utópica, utópica hei-de morrer, está visto.   

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