sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Só para dizer às mães dos ainda petizes, que se pensam ter agora muito trabalho com eles e tal e coiso

e se encontram confiantes num futuro de descanso, perninhas pró ar,  quiçá planeando viagens a só dois, porque eles cresceram e estão lá nas suas vidas, ai que lindos, tão crescidos,  ó pra eles todos adultos, confiantes, independentes,  cheios de projectos e mai não sei quê, que: 

- É isso mesmo que acontece. 
Exceptuando se uma das vossas crias tiver um karma do catano pra atrair bichinhos desamparados, e se quando um lhe aparece à porta, a primeira coisa que faz é telefonar-vos em prantos - o que por si dá logo direito a umas arritmias valentes porque ela primeiro chora e depois é que explica o porquê - e após ir buscar o coração à cave do vizinho, a pessoa ainda tem que participar no resto do filme. Como sempre. Esta parte não muda nunca. Impressionante. "Mãe", é sempre o que lhes está na ponta da língua. Foda-se.




Pequeno Cacau, que na imagem já se encontra devidamente alimentado como se pode verificar pelo tamanho da barrigocha,  miava, miava, miava, desesperado por socorro.  Vinha ferido, não se sabe se de dentadas de outros gatos ou se do quê, perdido da mãe ou orfão, e lá foi ela em direcção ao chamado, benzam-na os deuses todos, que aquilo tem um ouvido de tísica tramado.  Muita choradeira depois - de ambos - correrias pra lá e pra cá em busca de alimento para aquelas idades, biberões e o escambal, altas horas da noite,  sua excelência deixou-se fotografar e mais ao seu brinquedo novo,  indiferente ao drama circundante à sua presença, ora concentrado na questão que à cria, quase - esteve ali por um triz- lhe pareceu a 5ª decisão mais óbvia de toda a sua vida:- vou ficar com ele, TENHO que ficar com ele, quero ficar com ele! . Interrompida por mim, com um :- Huummm... se calhar..., veio o início do que eu costumo apelidar de o equivalente à 3ª guerra mundial com todos em truces, e lá veio o velho:- Porquê que me dizes que não posso ficar com ele??. 
Aqui aconselha-se muita calma. 
Nada de nos reportarmos ao tempo em que eles faziam aquelas birras parvas, e que a coisa eventualmente acabaria com eles esgotados pelo cansaço, ou, como no caso das minhas, perante a perplexidade de duas palmadas bem aviadas, que nunca tive muita paciência pra gritinhos da merda. Nada disso, porque o que era bom já acabou, agora há que argumentar, mesmo que a vossa sentença se vos afigure tão definitiva como no passado. Nesta situação específica, tomei um ansiolítico antes de responder: -Porque já tens 4 animais a teu cargo, e tomei-o, consciente do que viria a seguir e que veio:- Então... ficavas tu com ele, né..?, dito num tom de voz praticamente moribundo, como quem está a ser fustigado por todas as agruras da vida ou sinta a alma a ser-lhe arrancada pela narina,  ao que respondi, uma vez que já vi este filme 4 vezes:- Não, não né. Sem mais explicações, cabum!, voz calma, controlada,  pois que há muito entendi serem exactamente essas tentativas conversadeiras a razão dos meus quase AVC's, e diz-me agora a experiência que, argumenta-se, mas com contenção e muita segurança, partindo-se logo para as alternativas que se nos afigurem viáveis, de modo a que os seus raciocínios se desviem e se concentrem em  outros, não interessa em quem. Pelo menos até o comprimido fazer efeito. É avassalador, vos garanto, quase trágico, mesmo, o quão um "não" pode ser contestado por um filho adulto, e como aquelas mentezinhas maquiavélicas, por nos conhecerem tão bem, podem tentar fazer-nos sentir a pior das pessoas, caso cedamos à discussão da coisa. Baralhem-nos, é o meu conselho,  mudando de estratégia. Disponibilizem a vossa ajuda financeira, se puderem, disponibilizem tempo, mantinhas, ou que o episódio vos proporcionar, mas nunca, sob circunstância nenhuma, disponibilizem a possibilidade de um "não" que determinaram ser irreversível, estar sujeito a debate. Acreditem que eles ganham. No meu caso, não fosse esta  brilhante dedução ter-me finalmente dado à costa,  ainda acabava com a casa atafulhada de bichos, contas exorbitantes em veterinários, lá se iam os planos das tão merecida viagens, ela é que as fazia, e nos intervalos vinha cá ao estaleiro dar festinhas aos animais e já está. Também aconselho muito vivamente o não visionamento das imagens que vos enviarem dos bichos durante o tempo em que eles entenderem aquele "não" ser passível de mudança, o que dependerá somente do tempo que lhes apetecer. Creiam-me: eles vão tentar e não vão olhar a meios. Se aparecer um possível adoptante,resguardem-se, não exultem imediatamente de alegria. Guardem-na em vós, sob risco de perante aquele sentimento, se extravasado, eles se porem a questionar o voluntário sobre coisas que não lembram nem ao diabo, nomeadamente  sobre  se o avô materno gostava de animais, e caso não, se não haverá nenhum teste a que o pobre se deva submeter, na medida de certificar que aquele gene não lhe foi passado.  

Claro que antes esta sina de se ter uma cria a quem  todo o bicho ao abandono, vá  ela pra onde for, lhe vai à barra da saia, que outras propensões de cariz mais preocupante, óbvio. Sempre que penso nestas coisas, até levanto as mãos aos céus por os bichos não serem homens, por exemplo.  Mas caraças, que dá cá um trabalhão, ai lá isso dá, uma vez que temos factores de resistência bastante preponderantes logo ali na linha da frente: a vontade da cria e o bicho. A este, posso hoje dizê-lo abertamente, estive a 1 suspiro de ceder.  A prova disso é que já foi adoptado aí há uns 2 meses, e eu, volta e meia, ainda vou à procura da foto aqui espetada, pra me derreter toda. Maneiras que é isto. Está uma pessoa muito sossegadinha no seu canto, lalalalala, a pensar que pronto, está feito e etc, e num repente dá por si a pensar:- Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh <3 <3 <3 <3 ....., tudo por causa de uma cria que já tinha era idade pra ter juízo. 


Porra. 

  


3 comentários:

  1. Ooooohhhh... pááááááááá... é que é mesmo uma fofura, sinceramente não sei como conseguiste resistir a esse escarumbinha lindo de morrer! Se te serve de consolo, o pretinho amoroso que trouxe para a minha casa, ainda mais pequeno que esse, transformou-se numa besta que só está bem com as unhas cravadas nas minhas pernas, pode ser que tenhas te safado ;))))

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    1. Sabes que dizem que animais são um reflexo dos donos, num sabes?:P

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    2. Tomara eu que isso fosse verdade...

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