quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Tenho estado aqui, muito circunspeta, tentando levar em conta que numa sociedade livre cada um tem direito às suas crenças e tal

e que é esse mesmo direito que  nos garante a verbalização pública de absurdos tão imensos, como o daquela senhora que é a presidente dos  psicólogos católicos. Primeiramente estaquei logo ali nos "católicos", imaginando de que forma a carga de percepções inerentes àquilo influenciará um profissional da área no que se pretende seja uma ajuda aos problemas dos seus doentes. Decidi-me depois por alertar todos os meus amigos que estejam, ou saibam de alguém, a necessitar dessa ajuda, para  a evidente relevância do particular ora chegado a meu conhecimento, impondo-se a questão "qual é a sua religião ó xôtor(a), uma vez que vou submeter a minha mente e anseios a suas doutas considerações, e aparentemente também às convicções, e assim como assim via-se já aqui e agora se as segundas não se lhe - ou me - vão atrapalhar as primeiras?", com ainda mais autoridade que o factor CV ou honorários. 
É um direito que lhe assiste, o de ser católica. O meu, é de, com a mesma liberdade, optar por ser ou não assistida por um, especialmente quando esse um profere coisas como;  
- ter um filho homossexual é como ter um filho toxicodependente, não vou dizer que é bom.
onde uma pessoa nem sequer consegue estabelecer um paralelo por muito que se esforce,  mesmo  ciente do quanto um homossexual poderá sofrer até perceber que o é, ou do tanto que penará vida fora, por cabeças onde moram as bocas idênticas às da responsável por aquela afirmação. E ó se me esforcei.  Não tendo, graças a todos os deuses, filhos toxicodependentes, tive no entanto, um irmão que as drogas me levaram vestidas de morte. Creiam-me os crentes, não é, de todo, a mesma coisa. Afianço até que estão tão longe de ser a mesma coisa, quanto a distância que vai entre a ordem que a Ordem devia ter nesta coisa dos "psicólogos católicos", mas aparentemente não tem. Aquele não vou dizer que é bom é somente extensível- e por defeito - a pais revoltados, envergonhados, contrariados, perscrutando por erros inexistentes, frustrados por seus filhos homossexuais, como se aquelas vidas, lá por terem sido geradas por eles, tivessem que obedecer a todos os códigos de uma normalidade pré-estabelecida, e lá vem a conversa da vagina e do pénis, e que foi assim que deus fez, e a Natureza e não sei mais o quê. O sofrimento é deles, pais. E não é bom, de facto. Mas é opcional. Quero com isto dizer que entendo legítima a não aceitação de uns, valido-a, assim como entendo que deixa de ser legítima, ao obstruir o livre percurso daqueles outros. Estar a ver o meu filho feliz, mas não aceitar o suporte da sua felicidade ou envergonhar-me com ela, só se me apresenta plausível em caso de lhe perceber um carácter merdoso, que de alguma forma envolva dolo a terceiros ou tramas escusas.  Penso que não será necessário ter-se um filho gay, mesmo não se entendendo ou aceitando a opção, para se deduzir que a toxicodepêndia não passa por ser ou não aceite, um toxicodependente, como o próprio termo indica, é dependente, a família não tem opção. É dependente de substâncias que lhe alteram a personalidade e tudo o que envolve qualquer actividade a que se proponha. Aquela pessoa, quando consome, fica outra pessoa, irreconhecível aos seus.  O seu percurso de vida, mesmo quando abençoado pela extrema felicidade de se conseguir libertar daquilo, sabe só cada um a que duras penas, será sempre condicionado ao seu passado, física e emocionalmente. É o de todos nós, naturalmente, mas no destes, espreitar-lhes-à sempre o que procuraram no passado, ao espoletar de qualquer situação idêntica às lá vividas, no presente. Mil famílias falarão sobre as suas experiências neste contexto, mil versões serão ouvidas, outras tantas palavras ficarão por dizer a cada uma delas, por não se encontrar letra para aquela dôr. Em comum, as lágrimas vertidas, as tentativas tantas vezes frustradas de alguma reabilitação, e senhores, o cúmulo da impotência, lágrimas choradas por todos os envolvidos e pelas exactas mesmas razões.                   

Se é essa convicção da senhora, contudo, que os deuses a protejam do que se lhe apresenta como um horror, e a contemplem com filhos hetero - nem tanto por ela, compreenda-se, mas antes pelas sevícias emocionais a que me permito a suspeita, iriam ser alvo - e que nunca, nunca, venha a entender por experiência própria, o tamanho do absurdo que aquele cérebro concluiu, sob pena de palmilhar as diferenças abismais daqueles dois caminhos, quem sabe, compreender em qual deles, é que se chamam nomes mesmo muito feios a Deus. 
Nesse, realmente, não vou dizer que é bom. De facto é mesmo terrível.   
          

5 comentários:

  1. "A religião é o ópio do povo." já dizia Karl Marx, e bem, e essa senhora católica psicóloga(?) é claramente uma toxicodependente, não vamos dizer que é bom ;)))

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  2. ahahahahahahahaha!

    dasse... eu nunca o conseguiria dizer tão bem. Parabéns, ó mai linda! É isso mesmo.

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  3. Opa essa merda deixou-me doente. E o grave que é ter um psicólogo a dizer uma merda daquelas!!

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  4. Estou mais uma vez a aplaudir de pé. Não ouves porque é uma tortura comentar aqui.
    E não é "unknow" sou eu todinha.

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    1. ahahahahahah!

      A Sapo é terrível para com a concorrência..:)

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