quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Acho que já disse isto, mas afigura-se-me não ser demais repeti-lo

O que é uma puta?
Podia ser a puta da minha vida, a puta da minha sorte, a puta da minha cadela que não me larga a braguilha, ou a puta daquela cadeira que está sempre no meu caminho, mas quando uma puta, daquelas que o são a valer, tem dúvidas sobre o que a palavra quer dizer realmente, é bom esclarecer-se. Claro que se podia dizer "pô, és tu, óbvio" e ficar-se por aqui, exemplo dado e ela que se desunhasse, mas lá está o busílis: pois se até hoje ainda não o fez, deve ser porque o caso se lhe apresenta bicudo, tornando-se, portanto,impreterível o aprofundar do assunto. 
O que é uma puta?
Pode ser aquela que já se  prostituiu [inclusive até as há que já o fizeram com todo o carinho, desvelo, cuidado e atenção para com o seu cliente, como se ele fosse o primeiro, único e último, demonstrando-lhe essa entrega, ora pois ou através da aquisição do seu gel de banho preferido, creme de barba de seu gosto, ou sais de banho de sua preferência que, amorosa e mui organizadamente arruma na prateleira que diz para uso dos meus clientes mais especiais (que são todos, alguns até deputados, mas não que isso a leve a cobrar mais ou assim, que, vejamos, quando uma puta é uma mulher de padrões bem definidos nisso das arte do agradar, não faz cá agora diferenças ou favores extras a gente de mais alto gabarito, nada disso), alinha aquilo com esmero, e com o mesmo sentimento etiqueta a quem pertence cada item, especial e único nº1, especial e único nº2, e por aí fora, enquanto se vai lembrando, com carinho, do tão agradável que foi a conversa que teve com o último especial e único, acariciando o ombro onde ele lhe tombou sua atormentada cabecinha ( a que tem o cérebro), num gesto de como quem diz, ó, como sou especial e única, eu também, e suspira, plena de satisfação, convicta de de que, sem ela, aqueles pobres diabos não seriam, seguramente, hoje, quem são, e ele é as recordações do cigarro pós coito, as recordações do sexting, ele é as ejaculações precoces, o bom vinho, ele é, enfim, todo um mundo perfeitamente desconhecido à Madre Teresa de Calcutá, mas só porque esta resolveu ajudar os tocados pelas injustiças desta vida a troco de nada], vulgo até é assim que a elas se referem, mas não para a tia Isa. Para mim, uma puta, aquelas que o são a valer, é ao que se resume um pedacinho de esterco, que assumiu o termo "dispiciendo" como uma religião e/ou profissão.
- O que é que fazes na vida?
- Formei-me em Despiciêntica. Avançada. Sou bem boa no que faço. 

E é.  
É a voz que clama perseguições e atrocidades, pipila teorias, especula incongruências,vocifera coisas,  ama exaustivamente online, diz-se solidária para com causas que desconhece, exaure-se a publicitar feitos que são sempre menores, sorve tristezas a alegrias alheias em seu proveito, buscando atenção, ela é a que se empenha em procurar supostos podres dos outros, e guarda-os para um raining day, que normalmente é, justamente, aquele em que alguém lhe chama puta. Ou a resume a isso.  A diferença entre um acto e outro, é o que o dela nunca tem um fundamento credível - ou digamos, tem um fundamento que lhe serve como uma luva, sob qualquer aspecto ou perspectiva - uma puta, daquelas mesmo a valer, adora denegrir o alheio, por se sentir denegrida. Nem tanto pela constatação do hipotético interlocutor, que por uma razão ou por outra tem sempre razão, mas porque se auto-denegriu, na sua perspectiva merdosa, e agora está chateada. Com o mundo,com a sociedade e com  áreas periféricas.
 -Merda de mundo. Merda de sociedade. Merda de periferias, puta da minha vida. Porra. Fui ali prostituir-me, e agora só por isso, sou puta. Só o que me faltava, querem lá ver?! Suas putas, sois todas umas putas! 
(Ela pode). 
   
O objectivo, a vitimização, adjacente à tão só nozinha de atenção, cuja sede encobre, a que nunca se deu. Nem se dá. Nunca se dará. Estranha, por exemplo, que uma eventual puta que a puta entendeu a outra ser, ser mãe de filhos licenciados. Desmerece-se, sem se aperceber que, por arrasto, como que interdita a seus próprios filhos, caso os tivesse, essa possibilidade. Uma puta, das mesmo a valer, mostra que o é a cada letra que tecla por intermédio do que afirma em desvarios disléxicos, provenientes do que entende como índole. É a que intenta o escárnio da dôr do alheio, ansiando inflingir algo a mais alguém, para além do que a si,  quando o faz. Alcovita disparates, espalha insânias, é o ser portador da síndrome da estupidez no mais exponencial estado de que já me dei conta, por todo o referido, e mais porque se avilta muito, quando, após aquele tanto, é chamada pelo  que a caracteriza, sobremaneira: Puta.
E grita, estupefacta, a puta;
- Quê?!.. EU? PUTA??
  
Por norma, uma prostituta comum não se envergonha das suas opções, já uma destas, das mesmo a valer, sim. É uma espécie de limbo da humanidade. Pode ter tentado a profissão - talvez por nela lhe vislumbrar algo de malévolo ou conspurcante e almejar afinidades - mas recuou, perante, quem sabe, o quão grande uma puta de rua pode ser quando comparada com ela. Acuada, envergonhada, justifica-se, mas só porque aquele fácil se lhe apresentou, também ele, além das suas capacidades, e por vezes envolve dignidade, conceito que desconhece. Afinidades, conclui, só com outra da mesma laia. Identificam-se pela total ausência de noção da bosta que representam neste e para este mundo, e quiçá por esse tanto, que é enorme, por estarem bem cientes do quão distantes estão de serem mais do que aquilo, esgoelam-se em raivas e invejas. Meras impotências. Regurgitam insanidades, que não mais são do que seu reflexo, e o que por si sentem, e lá vão, de porta em porta, manchando o mundo. Truz-truz. Achando estar entre iguais. Fazendo o que lhes é consubstancial. Truz-truz. Estarrecendo-se a cada reacção menos esperada às suas investidas.  
Uma puta, daquelas mesmo a valer, não anda na sarjeta, ela é a sarjeta. E é-o 24h por dia, todos os dias de todo o santo ano. São-se nódoa para a qual não encontram água nem detergente que as limpe, são o punhal que as rasga, a vergonha que as vergasta. Sabem que o são, e que a serem mais qualquer coisa, serão somente mais daquilo. E revoltam-se, tentando atribuir a outros acções que, a seus olhos, os façam parecer seus pares, na medida em que uma puta, dessas mesmo a valer, está só. De si. Não tem essência. Não tem nada. É um nada.

Pobres putas...
Dessas mesmo a valer.  
           

    

2 comentários:

  1. Acho estranho alguém não saber o que é quando até parece que nasceu ao mesmo tempo que a palavra até porque é a única que a caracteriza.
    Pior! Sentir-se incomodada porque ao chamarem-a de puta estão a meter o marido ao barulho.
    Mas ela cobra ao marido?
    Tudo estranhíssimo, de facto.

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    1. Achas? Eu não. Aquela converseta toda acho-a típica de quem se envergonha dos caminhos que percorreu, e quer companhia.

      É como aqueles que dizem "ai eu isto? então e tu, que aquilo?" como se uma merda invalidasse a outra, ainda que o "aquilo" fosse verdade. Em não o sendo, inventa-se, fá mal. Desde que pra ela seja uma vergonha partilhada.
      É podre. Daí andar constantemente à caça de podres alheios. Tem verdadeira fixação por isso, aquela bosta.

      Como se alguém lhe tivesse encostado uma arma à cabeça, pra ir lá fazer o que de tanto se envergonha.

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