11 de outubro de 2016

Fiquei com aquela impressão de nojo, assim de como quem, inadvertidamente, toca numa meleca qualquer

Quando me inteirei da manifestação dos taxistas, li, vi os vídeos, muito em particular aquele em que um carro da Uber é amolgado ao pontapé e chacoalhado - com o condutor e passageiro lá dentro - tudo acompanhado por aquelas coisas engraçadíssimas que, quando muito convictas lá dos seus direitos, legitimidades e razões, as bestas gostam de proferir e aspergem daquilo, assim, mui graciosa e aleatoriamente. Aquilo eram dedicatórias à Polícia, à senhora que queria passar e não podia, aos ainda outros condutores da Uber e seus passageiros, à saída do aeroporto (de acordo com um depoimento de um deles), que foram interpelados por senhores taxistas no sentido de se inteirarem sobre como é que este ou aquele passageiro pretendia chegar ao seu destino. Ai é Uber?? Seu atrevido! Então és um isto e um aquilo, e a malta vai abanar é aqui uma beca a viatura, contigo meio lá dentro e a outra metade ao de fora, qué pra não te armares em destemido. Foi lindo. Também houve um género de comícios, com a participação de a quem possa ter apetecido, onde foi lembrado que não vivemos numa "ditadura soviética", para gáudio e muito orgulho dos presentes. Decorrerem umas conversações lá com quem do Estado teve a paciência para os aturar ao invés de lhes mandar logo com a polícia de choque para cima, que terminaram em mais ou menos nada, como se esperava. Depois ainda alguém afirmou não haver estudo nenhum que comprove e, consequentemente,  justifique a necessidade de outra plataforma de transportes como a Uber, ao que também achei um piadão, na medida em que essa afirmação veio da mesma facção de quem defende não estarmos numa "ditadura soviética". 

Não consegui deixar de estabelecer paralelos enquanto me punha ao corrente da situação, pelo que, e de acordo com as minhas experiências pessoais, determinei - deviam ser aí umas 7h desta manhã - que os merdas hão-de ser sempre merdas, e que bastarão sempre um punhado deles pra desestabilizar de forma assaz negativa seja lá o que for, primando estes, e sobremaneira, pelo profuso de tiros em próprios pés. Cogitei nesta triste realidade, tentando mais uma vez digeri-la - ainda que muito titubeante, confesso, nos resultados -  ao mesmo tempo que procurava a aplicação da discórdia no sentido de a passar a usar, confiando a atroz aceitação daqueles factos da vida, nas poucas quantas coisas que sei, indubitavelmente, sobre mim: sou visceralmente aversa a  merdas, de uma forma geral, e a pessoas de merda, muito em particular.   
          

2 comentários:

  1. Sempre foram muito mal vistos, desde roubos indecentes nas corridas, má-educação, má-formação, porcos e etc., mas ontem certificaram, prejudicando alguns que até são minimamente decentes, o princípio do fim da profissão, pelo menos, nos moldes em que ela hoje se apresenta.

    ResponderEliminar