13 de outubro de 2016

Com todo o respeito pela Música e plena noção da sua imensa importância (que é uma Arte, pois que é) e etc & tal...



Academia, puta que vos pariu.



21 comentários:

  1. Desculpa lá, mas porque é que só pode ser considerada Literatura os géneros convencionais (romance, ficção, drama, poesia, etc.)?! Estou muito contente que tenham atribuído o prémio a um "cantautor" que escreveu personagens fantásticos, histórias mirabolantes, poesias plenas de sentido e simplesmente o que fez a mais que os outros escritores foi musicar as suas obras. Ainda há pouco vinha a ouvir o MEC que referiu ser importante também atribuir um Nobel à Literatura Oral, aquela cujos autores não a podem escrever por serem analfabetos, há tantos e tão bons contadores de histórias que nunca escreveram uma única linha, isso também é Literatura :))))

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    1. Mas ao musicar as suas obras, terá passado a outra categoria de escritores. Se existe uma componente extra ao que escreve, se factor "música" tem lá os seus efeitos em quem ouve ou, quando lê, a ela associa, estará, se por mais nada - e independentemente do talento do Bob Dylan - em clara vantagem em relação ao escritor que, somente por intermédio de letras, tenta fazer a tal música, conseguindo-o ou não.
      Assim, faça-se um Nobel a atribuir a mais esta categoria, caraças. Nada contra, até acho que deviam... Avaliar-se um escritor, como convencionalmente os conhecemos, da mesma forma que estes, é que acho que está errado. Sabes tão bem quanto eu que musicar-se, não é "somente" nenhum. Pode ter um impacto fenomenal no resultado. Mais a mais, um escritor convencional, exactamente porque depende somente da sua imaginação e escrita, necessariamente empenhar-se-à muito mais e durante muito mais tempo a escrever todos os caminhos, eventuais conclusões e/ou descobertas por onde pretende que o leitor se passeie.
      Por alguma razão um poema, por exemplo, ou um conto, se dito por A pode não ter o mesmo efeito se dito por B. O elemento "voz" e o que a emoção que quem o diz transmite, são cruciais. A música tem o mesmo efeito, logo, são comparações, a meu ver, entre categorias incomparáveis.

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    2. Não concordo nada contigo, nada te impede de ler a poesia de Dylan sem ouvires a música, podes muito bem separá-las e extrair apenas a mensagem que reside nas palavras escritas, e quem diz Dylan diz outros letristas. Para mim, Literatura é a arte de criar mundos diferentes e de interpretar o mundo através das palavras, é isso que Dylan, Saramago, Cervantes, Buarque, Cave, Hemingway, Balzac, Shakespeare e tantos mais fazem, é ou não é? É claro que todas as obras literárias ganham uma outra roupagem quando são representadas por exemplo em teatro e cinema (não raras vezes, o filme acaba por ser melhor que o livro...) a música apenas emprega outro encanto às palavras, o significado permanece. Mas isto sou eu, que não olho para a Literatura apenas como uma arte, mas sobretudo como um objeto de estudo, no fundo acabo, em vez de apenas usufruir dela, por dissecá-la... defeito de formação ;))))

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    3. Nada me impede, certo. Ponho-te a mesma questão que pus ao Silent Man: teria Dylan tido a mesma difusão/projecção, se se tivesse ficado só pela escrita? E não estou a questionar o talento.
      Refiro-me à projecção, ao ser tão conhecido, amado e apreciado, mas sobretudo conhecido, de tal forma que lhe valesse um prémio destes. A música é um veiculo fantástico de mensagens, e muito, mas muito mais acessível a todos, em todos os pontos de vista.
      Penso que quem contesta ( o que era completamente expectável) este Nobel, não o faz por questionar o talento, mas unicamente pela categoria.

      Mas hey, viva a diversidade de pontos de vista:))

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    4. Aí é que reside o busílis da questão. E quantos escritores, cujos nomes são impronunciáveis, que ninguém conhecia de lado nenhum ganharam o prémio? Eu diria que a maioria. Não foi pela popularidade que Dylan ganhou o Nobel, não vou por aí, aliás, já li algures que ele não é o primeiro cantor a ganhar o prémio, em 1913 um músico indiano também o ganhou e este com certeza naquele tempo não teria a projeção que têm (quase) todos os artistas hoje em dia.
      Eu percebo onde queres chegar e também nunca interpretei que estivesses a questionar o talento de Dylan, já entendi que tens dificuldade em entender a Literatura como um fenómeno global e sem a categorizar, o que é natural, é uma forma de ver a coisa, a minha forma de ver a Literatura é diferente, não é melhor ou pior, é só diferente.
      Viva!!!! É precisamente aí que reside o interesse nas relações interpessoais ;))))

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    5. Catarina, decerto haverá muitos. Todos sabemos dos cordéis que se movimentam nesses bastidores, né? E em todos, de facto.
      Dylan não ganhou um Nobel pela popularidade, mas pela sua contribuição literária/cultural. O que perguntei - e isto é o que sustenta a minha objecção em relação ao prémio, naquela categoria - foi se o conheceríamos, ou se se lhe estaria a prestar aquela homenagem, caso a música não tivesse estado na base do fenómeno Dylan. Ele escreveria na mesma. Mas terias tu a oportunidade de teres apreciado o que ele escreve ao longo dos anos, ou seria um perfeito desconhecido, igual a tantos outros escritores mais ou menos, ou nada conhecidos, quiçá de contribuição igualmente fantástica, se conhecidos?
      A minha questão não está na incapacidade de o avaliar enquanto o destacaram, está na dificuldade em aceitar que isso que parece ser um pequeno nada que o difere dos outros, é, na verdade, a meu ver, imenso. Se avaliarmos o que cada um escreve pelo impacto que tem na população mundial em termos de alguma contribuição, então não haveria Nobel da Física, por exemplo. Decerto que é literatura é global, não é? Muda ali, ou interfere, numa série de raiocínios, escusavam de estar agora a dar categorias às coisas. Se eu gostar muito, posso muito bem analisar aquilo sem ter que proceder a pequeninas explosões e tudo e até posso fazer poemas com aquilo. Ou músicas.Mas como estão lá por razões muito específicas, resolveram dar àquilo um nome a condizer com o assunto:Física.

      Assim, volto a repetir que não tenho dificuldade em analisar as coisas globalmente, e que sim senhor, globalmente falando, o homem escreveu umas coisas muito interessantes, mas que não acho correcto que escritores que não tiveram os seus livros cantados ou musicados, sejam avaliados da mesma forma. E volto a repetir que estou convicta de que se não fosse a música a levar Bob Dylan aos 4 cantos do mundo - e ainda bem- provavelmente hoje pouca gente saberia quem ele é.

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    6. Por acaso e atendendo que o acho um péssimo cantor (no sentido de intérprete) acho mesmo que a sua projeção deveu-se essencialmente pelas letras que escreveu... sobretudo aquelas que compõem as canções de intervenção. Como disse acima, não é inédito, já houve outro músico galardoado. e como também referi, muitos houveram que ficaram apenas conhecidos após o Nobel, alguns até já voltaram a cair no esquecimento. Não vejo o Nobel como um prémio de reconhecimento da popularidade, não é isso que baseia a sua atribuição, vejo-o como um reconhecimento da qualidade do que é produzido/criado/descoberto e do impacto que essa produção/criação/descoberta teve, tem ou terá na história da Humanidade.

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    7. Desse outro galardoado não posso falar, não sei de quem se trata, mas enfim, verifica-se sim, que não é inédito.
      Digamos então que eu manifestaria as mesmas objecções em 1913, que manifesto agora, e exactamente pelos mesmos motivos:))

      O Nobel tem essas características que descreves, concordo em absoluto, e para se ser galardoado com ele, tem que se corresponder. Volto a perguntar-te: Não estivesse o Dylan contextualizado na música, ter-se-ia sabido dele?
      Ou seja, o que quero dizer, é que entendo que a força motriz de Bob Dylan foi a música. A de qualquer escritor de que tenhas ouvido falar, ou lido, com esta ou aquela crítica, foi a escrita pura e simples, lá com as suas mensagens disto ou daquilo. Por essa ordem de ideias, tragam Martin Luther King também para a mesa dos galardoados de Literatura. Porquê só o da Paz? Escreveu maravilhas, deu a vida por elas, carago.





      Silent Man, noted.:))

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    8. Já se me esgotaram os argumentos... que posso mais dizer? Consigo separar a produção literária da produção musical de Dylan, consigo entender que se nos abstrairmos do facto de ele ser músico, compositor e intérprete, é também um excelente escritor e por isso acho o prémio merecido. Haveria outros, dentro dos que apenas escrevem, mais merecedores? Não duvido, mas isto é como tudo, também houve quem achasse que o eterno candidato António Lobo Antunes era muito mais merecedor do que alguma vez Saramago seria e os suecos assim não entenderam... por enquanto.
      Quanto ao Martin Luther King, provavelmente a sua prestação na luta pela igualdade de direitos dos negros teve muito mais impacto na história da Humanidade do que o que quer que tenha escrito...
      Tal como o Silent Man disse, acho que concordamos em discordar ;))))

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  2. Ah Isa, não vou dizer que esperava ou não esta reacção. Mas surpreende-me claramente uma opinião TÃO negativa.

    Eu acho totalmente merecido!

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    1. Tão negativa como em mandar a Academia à puta que os pariu? Opá, mil perdões, mas pelas razões que enumerei ali à Catarina, mando mesmo. Repara que mandei a Academia, não o homem, nada a ver, portanto, com o seu merecimento de uma qualquer consagração com a magnitude de um Nobel, ou até com um Nobel, se estivesse criada essa vertente. Acho simplesmente que são talentos que percorrem caminhos diferentes. O facto de ambos passarem por escrita, não acho, sinceramente, que os deixe em pé de igualdade.

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    2. Eu percebi a distinção entre a Academia e o Homem. Que aplaudo.
      São talentos que porcorrem caminhos tão diferentes como Pessoa e Saramago. Um seguiu o rumo da poesia, outro a prosa. A questão aqui é simplesmente se um letrista e cantautor deverá ou não, ser considerado para Nobel da Literatura.
      Da mesma forma que deram o Nobel ao Saramago pela forma como ele escrevia e não pela maneira como eu, tu, o Jorge Palma ou o Manuel Alegre o lêem, deram o Nobel ao Dylan pela maneira como ele escreve e não pela maneira como ele canta. Pelo menos é assim que eu vejo este prémio.
      Pela mesma ordem de ideias, a J.K.Rowling ou o James Patterson, devido à sua divulgação nos diversos meios de comunicação, teriam maior facilidade ou probabilidade de ganhar o Nobel que o Herman Hesse (que nunca li) ou o Dario Fo (que não conheço de lado nenhum, sequer). Mas isso não aconteceu, devido à sua diminuta contribuição para o avanço da Literatura.
      E aí faço minhas as palavras da Academia... A contribuição do Dylan para a cultura Americana foi nestimável. E quem diz Americana diz Mundial, porque o Dylan não contribuiu apenas para a cultura Americana.
      E isto sou eu apenas a expressar a minha opinião, não a discordar da tua!

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    3. E fazes muito bem, pá, expressa-te praí, ora então!:))

      Espero que não esteja a passar a imagem daquelas pessoas fanáticas por convenções (porra, mato-me aqui e agora), e menos ainda por literatura ( embora nisso esteja bastante mais confortável, uma vez que se percebe perfeitamente a minha singela e opcional, confesso, ignorância - perdoem-me os doutos - nesses assuntos) que francamente me estou borrifando para ambas.

      Compreendo o ponto de vista e razões da Academia,a sério que sim, Bob Dylan contribuiu enormemente, concordo plenamente, e ia há pouco dizer que referirem só a cultura Americana, até é uma beca redutor, quando se fala em "Bob Dylan". No entanto, insisto que a sua contribuição abrange outros espectros.
      Até acho que um Bob Dylan, enquanto precursor do que fez e faz, chega a mais gente do que muito escritor, exactamente pela diferença enorme, entre o trabalho de uns e outros. Mas que o que escreve está intrinsecamente ligado ao que musicou, não se tenha dúvidas. Se ambas as componentes lhe proporcionaram essa visibilidade, penso que esse factor não deve ser desconsiderado, quando se atribui um prémio de Literatura, por se desconsiderar, por arrasto, os que escrevem e só.

      Se Dylan escrevesse somente, seria visto da mesma forma que é?

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    4. Mal comparado, a Florbela Espanca também foi musicada, não foi? E atingiu todos os portugueses como um soco quando cantados pelo Represas. A maioria, na altura, se calhar nem sabia que era dela...

      E não, não estás a passar essa imagem. Especialmente nesta tua última resposta. Digamos que foste "amolecendo" a tua posição ao longo do tempo. Isso demonstra sabedoria.

      Mesmo não concordando um com o outro, graciosamente concordamos em discordar :)

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    5. ahahahahahahah! "amolecendo".. Bom, faço muito disso quando percebo que não me fiz compreender, pois que sei perfeitamente ser, à partida, um ser muito contundente na forma como me expresso, e quis deixar claro o que penso que deixei.
      Claro que concordamos em discordar...:))

      Viva o Bob Dylan! Viva um Nobel pró Bob Dylan!

      Noutra categoria, que não a de "literatura"! Viva!!:P

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  3. Por acaso não me chocou, e até achei bem. Diria até que o senhor deu mais "provas"so seu talento do que mtos autores que já ganharam o nobel.

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    1. :))

      Foi?

      Como?

      Como e quando ouviste falar de Bob Dylan?


      (não vamos de novo voltar ao tema "talento", pode ser?)

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    2. O ano passado ganhou uma jornalista que faz vida a fazer entrevistas, e?
      Alguém contestou?
      Se escreve bem, não vejo o problema. Não é uma forma de literatura?

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    3. "O Prémio Nobel da Literatura foi esta quinta-feira atribuído em Estocolmo à jornalista de investigação bielorrussa Svetlana Alexievich, autora de livros sobre as mulheres na II Guerra, os soldados soviéticos mortos no Afeganistão, as consequências do acidente nuclear de Chernobyl ou a criação e sobrevivência do Homo sovieticus."

      Se calhar quem contesta agora, não contestou antes porque a senhora se insere na categoria que quem contesta, acha que se devem inserir os candidatos.

      De qualquer forma, não há problema nenhum... Há é divergências de opiniões, o que é coisinha pra lá de salutar.:))
      Já expliquei, lá mais acima, o porquê da minha. Posto isto, esperemos que o Bob Dylan goze o o prémio com muita saúde, boa disposição e, claro, talento aos montes.:)

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