sábado, 23 de julho de 2016

E então ela disse assim #2

- Esta sou eu. Chamem-me Diva. Tenho uma incapacidade cada vez maior de ser protagonista de filmes com guiões de merda,recuso-me a contracenar com gajos cuja participação me seja mais perceptível que a eles próprios, lhe preveja as falas ou até lhes saiba mais de seus porquês que eles mesmos - se não por mais nada, pelo simples facto de reunir essa condição, só por si e em si, a irritante desvantagem de ter o fim da coisa logo ali a descoberto, ainda mal a coisa começou - e isso admoesta-me. Gosto de suspense. E gostos não se discutem. Não me chateiem. Sou uma excelente dona de casa e do meu nariz, não tenho assim grande controle nas minhas emoções, padeço d'amor próprio, sou portadora do síndrome d'instinto maternal e duma curiosidade mórbida em perceber os porquês de tudo. Desagrada-me que me desagradem, uma vez que, em geral, (tirando os Domingos por inteiro e todos os dias ao acordar),sou uma pessoa agradável. À vista, ao tacto, à convivência e até à conveniência. Fode-me que não me ouçam, que não me entendam e qualquer imposição, ameaça, ou acção susceptível de me condicionar a uma determinada atitude, fode-me. Fode-me o desemprego. A miséria. Fode-me ter pessoas que amo a passar por situações tão desmerecedoras delas, que me fode o facto de não poder foder ninguém à porrada, tal é a frustração que me invade de tão fodida que fico. Fode-me. E fode-me isto, de estar aqui a escrever sobre mim, quando "mim" é só um, num universo de tantos outros mins, em tão piores condições que eu. Fode-me. À séria.





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