terça-feira, 24 de maio de 2016

O mistério do olho vazado de Luis Vaz de Camões

Conforme últimas notícias reportadas lá por proeminentes da escrita e publicadas no most respected indeed editorial Caladinha Eras Mesmo Um Mimo, investigações recentes  sobre  Luis de Camões   - de quem reza a História ter perdido um olho numa batalha qualquer em África - apontam para toda uma nova realidade de factos, e lavram  que o que efectivamente lhe terá acontecido à vista, terá tido - suspeita-se, quase à beira do atestado - uma relação muito directa(senão única) com a leitura de Camões  de seus próprios escritos, e explicam como: 
Naquele tempo, não havendo revisores de textos, nem editoras nem nada, o único parecer a que um Poeta poderia recorrer no sentido de uma opinião sincera sobre o que fosse, seria, naturalmente à de um amigo. No caso de Camões, esse amigo especial apresentava-se à sociedade como D. Morabitino III, e era nem mais nem menos que também o seu dealer e fornecedor de ayahuasca, droga de eleição de Luis. À altura do infeliz acontecido, estando Morabitino de paradeiro incerto -  diz-se que talvez na costa, aguardando a chegada do navio que lhe traria notícias da família, e "regalos", digamos assim - terá nosso amado , com as Rimas em mãos e desesperado por um conselho, na ausência demorada do seu homem de confiança, perscrutado em seu redor, cogitando sobre quem substituísse o valioso juízo de D. Morabitino III, O  Visionário, tarefa que se lhe afigurou de árdua conclusão. D. Morabitino III era cego de ambos os olhos, pois que era amigo de muitos poetas. O cognome O Visionário, fora-lhe atribuído devido às suas incursões espirituais, derivadas da toma diária de peyote, substância a que recorria de modo a que realidades novas e transcendentes lhe fossem abertas, quais portais de Futuro, por onde ele caminhava, de passo certo e seguro, sendo ali um homem livre, completo, diferente, despojado de preconceitos e condicionantes outras, e era dali que regressava, imbuído de novidades e palavras proféticas. Suspeita-se inclusive ter sido ele o grande propulsor do vício nas gentes das letras e artistas de uma forma geral, dando início uma corrente de seguidores, que, transpondo séculos, até hoje permanecem fiéis aos seus princípios (Um Artista Drógado é um Artista Melhorado), inovando e ampliando, ao longo dos tempos, a oferta de vícios,  que hoje, século XXI, já conta com um  razoável leque de  260. Sobre ele conta-se também, que um dia, e após uma dessas caminhadas alucinogénicas, regressou  O Visionário com notícias de uma tal de  WING, e outras variantes dela, mas em só escrito, referindo-a e às outras, como a seres de exponencial beleza sentimental, corações atormentados por incoerências humanas, rapsodistas de mão cheia, acrescentando que o Futuro do Mundo seria profícuo de sorte, e o de Portugal em particular, porque não só iria ter Luis Vaz de Camões como alicerce fundamental da sua cultura, como haveria de ter pelo menos uma das tais variantes, a escrever no seu idioma. Eram amigos, logo, O Visionário não especificou a Luis o "como".
        
Voltando à notícia em si, na procura por quem lhe substituísse o critério de D. Morabitino, Luis deu com ninguém, pois que se encontrava de retiro numa palhota, e os nativos, para além de não falarem Português, estavam ocupados a fazer uma rave, aproveitando a passagem do famoso misturador de sons, o Batucanamarrabenta, uma vez que todo o território se encontrava de festejos pelo aniversário do Gungunhana. Camões, vendo-se ali preso às rimas, 

Aqui, fremosa ninfa vos pintei
Todo de amores um jardim suave
De águas, de pedras, de árvores contei
De flores, de almas,feras, de uma, outra ave..

angustiado em decidir se acabava aquilo com "ave", se com "enclave", se com "chave", "panaché", ou se com "já vou!",num acto desesperado, típico de um Poeta em tortura, vai, e resolve observar sua Obra mais ao de perto, e eis que foi quando...  SHLÉP! uma palavra gulosa lhe sugou uma pupila. 
Desesperado, em dôr, terá gritado (de acordo com os desenhos encontrados nos artefactos dos nativos):

- "Ai que ceguei! Ai,ai, ai Jesus, aqui-d'el-rei, acudam, ai ca puta da palavra  me sugou a pupila! Porra que bem me parecia que isto estava escrito de forma demasiado intensa! Ai! lay! lady! lay! Ai!" 

Mas estas alegações encontram-se ainda sob pesado estudo e debates antropológicos.
Factualmente, concluiu-se o acima descrito e mais que, em consequência a esta nova versão histórica, se deve inferir a existência da pupila de Luis Vaz de Camões, vigilante e perene, percorrendo o léxico, a coerência e o sentido, de uns e outros. 
E que dói. E que rasga. E que sangra.



:(

        



      

13 comentários:

  1. Ahahahahahahahahahahahahahahahahah!A pergunta que se impõe: e Camões amava?

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    1. Visceralmente, que é o termo usado pra Poetas desta magnitude.:)

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    2. Atira aí um número só para eu ter uma noção mais precisa do grau e intensidade de visceralidade do amor do poeta.

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    3. Pá, teoricamente, rebenta com a escala de 1 a 10. Chega aí aos 260, mas na boa. (Sabes que os poetas gostam de aspergir amor).

      Na prática é que são outros tostões, né? Mas não falemos desta parte, que este pessoal é mais do alternativo, de coisas
      muito à frente, do bem, do espiritual, do "isto chega pra todos, calma!"

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    1. Más companhia, pá...
      Era amigo íntimo de Bocage.

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    1. E que os deuses me mantenham assim até ao meu último suspiro.:)

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  4. Ahahahahahahahahahahah :D
    Fiquei com a Wing a ecoar na minha cabeça :D

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    1. Quem é 'miga?:P

      (Vê o resto das músicas da Wing, e depois diz lá se não há ali um paralelo tão bem enquadrado).

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    2. Hei de tirar um tempo para fazer a devida análise ;)
      Sim, sem dúvida! Mas a outra Ninfa também me faz lembrar muito a criatura :P

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    3. E fazendo minha a palavra escrita pela Ninfa, ao seu mais recente amigo Sátiro, apraz-me assim conferir o que disseste
      com um:

      - Amém.

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