sexta-feira, 15 de abril de 2016

Os Mails do Sr. Empresário - Análise de conteúdo *

De acordo com a proposta supra mencionada como "análise" e dentro dos parêmetros acima estabelecidos - conteúdo - passa esta flor, eu, Isa, à divulgação do trailer do filme em epígrafe, que será aqui apresentado por ordem cronológica sob as vertentes que me derem na telha. Digamos que esta é a apreciação de uma índia da tribo dos Kiowa, perante as mensagens de fumo - doravante denominadas como mails - de alguém - doravante denominado como sr. Empresário, e isto tudo para uma compreensão mais contemporânea - lá da pradaria dos Paiutes, personagens tão diametralmente opostas em termos culturais, que a única afinidade cientificamente identificada, residia no facto de serem ambos humanos. Cá vamos então;

Paiute:
    
"Boa tarde.
Dado que não tenho a confirmação se este endereço pertence à proprietária do blogue/diário "Em jeito de memória", pode confirmo-me? 
Grato."



Kiowa:

Ok. Tudo bem. Certo. Chique. Muito profissional. É fazer aquilo do verbo confirmomar, e seguir com a vida, sem, claro,  que  me passe ao lado a disponibilidade de tempo de um empresário, para se meter neste tipo de merdas. Mas pronto. Podia estar de férias, ou a ver uma novela desinteressante, ou os Ficheiros Secretos, ou ainda o CSI, e ter-lhe dado prá pesquisa. Sabe-se lá. Vou é  reactivar as minhas funções empresariais lá no meu ganha-pão, qu'isto de andar num põe roupa na máquina, tira roupa da máquina, estende roupa, apanha roupa, limpa sanitas, faz camas, aspira, leva a cadela à rua, leva o saco do lixo, e essa porra toda que uma doméstica faz, já me anda cá a dar cabo dos nervos e bem me parecia que aquele cansaço todo do sócio era de um jajão descomunal. Mas hey. Sou uma crédula, uma ingénua imbecil. Digere lá a indignação, Isa Maria,  e  caralhos ma fodam se não hei-de ser uma empresária a tempo inteiro e usufruir assim destes espacinhos de lazer, pra sei lá, mandar mails a quem andar a chatear as minhas filhas. Aguardem-me! Agora vou é respirar fundo a ver se me  controlo,  conto até 25 de modo a conseguir conter a raiva, salto, mui graciosamente - qual gazela-de-grant - ali a alusão maliciosa ao meu blog, que eu cá quando estou a falar com um empresário ponho-me logo em sentido, que sei muito bem qu'estes gajos não andam aqui a brincar. Olarilólé. Nada de merdas com um empresário. Ademais, o sr. até disse que estava grato e eu adoro gente que é grata por coisas. É um fetiche meu. Penso na lei da compensação de Newton, concluo estar ela por ela, dou o assunto como arrumado e next!   


Eis senão quando, o "cuidado com o que desejas" se materializa, e:




Paiute:

"Então, vou direto ao assunto. Sou o pai da [qual é mesmo o nome da criatura, ó Carla?], mais conhecida por Pink Poison. Estive no meu gabinete algumas horas a ler as atrocidades que a senhora, a minha filha e o senhor Ricardo trocam e acho que já chega. Todos erraram. 
Mas isso D. Isa, não lhe confere direitos. saber o meu nome? Talvez o saiba. Para quê se eu sei as escolhas passadas da minha filha? Terei eu que lhe apresentar os recibos da minha contabilidade dos cursos que paguei e carros que comprei, incluindo os meus, os da empresa, os da minha enteada e por aí fora? 
Sim, se for preciso e se a coisa não pára neste momento (e avisei a minha filha), pago o que for preciso para descobrir tudo sobre as pessoas que falam mal da minha filha (que não é uma santa) e apresento tudo aos advogados da empresa. Terei todo o gosto em ler a sua resposta revoltada, sei que terá alguma razão. 
Quem não é dado nem achado nesta história será o senhor Ricardo. 
Sem outro assunto de momento, resta-me desejar-lhe um bom dia."



Kiowa:

Oi..? Neurónios, neurónios, depressa, qué deles, ai caraças! Foda-se, qués ver que ainda estão pra passar a ferro?! Estavam. Bolas. Ca merda! Lá tem uma gaja que analisar isto ponto por ponto, 'vagariiiiiinho, e o passe vite à espera do grão. Porra!

Bom. Dada a sua infeliz condição de pessoa menos bafejada pela sorte lá naquilo do QI, desejosa, ansiosa por saber e poder responder à reprimenda, opta pelos tópicos que lhe parecem mais fáceis, como é óbvio,  e vai disto:  

- "Mais conhecida por..."

- "Mas isso D. Isa, não lhe confere direitos"

- "Saber o meu nome? Talvez o saiba"

- "Para quê se (...)"

- "Terei todo o gosto em ler a sua resposta revoltada, (...)"


"Mais fácil", pensou ela? Quem lhe tivesse espetado com um pano encharcado na tromba, que foi o que lhe fez falta. Caramba. Antes encerar o totém por 3 semanas seguidas.  Foi uma canseira. Uma noite inteira a devorar Froid, Descarte e Jung, pra entender a sumptuosidade da escrita e o que lhe estava implícito. Às 5h da manhã, bate de frente com a questão terceira, porque, lá no seu lugarzinho na pirâmide dos estatutos, uma doméstica está habituada a que,  quando recebe um mail, ele venha assinado, e não está a contar com que  o remetente , logo assim numa segunda abordagem, se ponha com joguinhos intelectuais, lançando a duvida sobre a sua identidade. Aqui até fica um bocado aborrecida, exclama um " olaaá.. qué lá isto?!", de si pra consigo, porque se havia coisa que lhe era deselegante, era aquele tipo de atitudes de superioridade. Preconceituoso, é dizer-se pouco. Mesmo dependendo de que árvore genealógica aquilo vem. Aquilo afigurava-se-lhe como indesculpável. Ponto.
A 4ª fe-la ficar com um olho no burro e o outro no cigano, tresandava a esturro, a pergunta-rasteira. "Para quê?" Espera! Disse-se. "Saber o meu nome? Talvez saiba...para quê?"
Fogo! Mas agora estamos aqui a jogar ao xadrez, carago?! Exclama. Atão mas não é suposto saber-se os nomes das pessoas pra porque sim, pra nos podermos dirigir a elas pelos seus nomes?! Questiona-se. 
... Huummm .. Aqui há gato, huummm ... isto traz água no bico, huumm .. sei não! Infere. Era o que o instinto lhe dizia, mas hey, sem provas, não lhe podia dar razão. É uma pessoa justa, o tendenciosismo não a assiste, maneira que decide ser aquilo uma abditae causae**, que resolve deixar como que em jardins da babilónia, suspensa,  para cogitações psicossomáticas futuras. A ela não enganam. Sabe perfeitamente quando há ali alguém às couves, pode não ser tão esperta como o sr. empresário mas não lhe comem as papas na cabeça. Séquérabom. 
Não obstante  seu perspicaz e  arguto raciocínio, esmorece, perante os evidentes obstáculos. Vale-lhe que entretanto assimilara a questão primeira, tanto assim que arranjara um nickname para o pessoal todo lá do tipi, de forma a também poder dizer " sou a mãe da Jéssica Priscila, mais conhecida por O Furacão Erótico", e isso animou-a bastante. A  segunda é que a deixou a ver vermelho ali por um bocado, pois que sendo uma cidadã e tendo um cartão que o comprovava, sendo que se estava cagando para a recente polémica da cena sexista, à merda mais o que não lhe confere direitos. Pagava impostos, portanto, direitos eram-lhe auferidos SIM SENHOR. Ora essa. Na última, a 5ª questão,pronto, talvez derivado do cansaço, teve mesmo que consultar o Aristóteles, por razões de apoio académico. Só fizera uma tese numa área, a de detectar cotão a 20 mt do dito, e um estágio que embora do seu curso, fora na área de detectar camelos, o qual concluiu brilhantemente. No fim, até lhe ofereceram um saca-rolhas e tudo. Precisava de um tira teimas.  Ou muito se enganava, ou o espertalhuço do sr. empresário estava ali a desafia-la, a querer conversa, a ver se a coiso, ali a testa-la, naquela de a fazer rodar a baiana, cair do salto, no vem-que-tem, e ela, que nessas coisas era dona de um curriculum alvo e impecável na arte do vai-te é foder se pensas que daqui levas alguma coisa, não está de modas e vai de se atirar à consulta de frases feitas do famoso pianista. Lá estava: "Deixai-os falar, compra é masé um Audi e caga nisso". Olé. Cabum! Incha sr. enpresário, seu ganda badocha, clamou ela, exuberante de lascívia. Fez só uma metade do conselho, todavia,  que quanto à outra, tinha que esperar que o seu tio-avô morresse. Mas ela lá chegaria! pois como lavrou o William Shakespeare em Macbeth, "devagar se vai ao longe", e isto não há nada como conversar-se  com as mentes do passado, para se aprender palétes. Poisé! Bradou, exuberante de novo, mas agora de tesão.  

O restante do mail, deixou pra decifrar mais tarde. Estava exausta e pra mais, parte da matéria já se resolvera a contento lá dos envolvidos, pelo que e por esse tanto, se tratava aquilo de  uma não-matéria, à semelhança dos próprios. Riu-se do paralelo ali estabelecido - qual uma epifania - orgulhosa do seu discorrer,que, parecendo que não, demonstrava que ela até sabia coisas. Ficou contente. Remanescia,em suma, tão somente aquele cochezinho,concernente  à contabilidade e advogados e béquebéque. Mas isso já era coisa do Código Civil e ROC's e TOC's, nem sabia se tinha cabeça pra tanto. Resolveu esperar por uma insónia, e 'pois logo via: ou ia ao eBay comprar detergente pró inox, ou estudava aquela merda, e, concluindo, por ora, sinopsou: 

- Pá, que o gajo é bom, ai lá isso é. O conteúdo é que, ou o sol me ofuscou as vistas, ou perdi parte da mensagem que está uma ventania estúpida que dispersa o fumo todo - Primavera da merda, esta -  ou tenho que praticar mais o Paiutês. Também se pode dar o caso do gajo se estar armar ao pingarelho, em enigmático ou isso,  convencido qué chefe de aldeia, ou coisa que o valha, porque tema, também, nicles. Zero. Nada. Mas sa foda. Espero por próximas mensagens, e logo se vê. Carpe diem! arrematou, na seu idioma nativo, lá, das pradarias anglo -saxónicas. Agarrou na chave do carro e partiu, rumo ao super mercado, onde, ao passar os olhos pela secção dos pensos higiénicos, se lhe impôs uma pergunta que nunca mais a largou, de tal forma premente, demoníaca, que ela teve que a verbalizar para se livrar dela. Na caixa do super, com uma fila de 20 'ssoas à frente e 5 por detrás, clama:

- Mas... Porque caralho é que o homem teve que ir ao "gabinete" pra ler aquela merda toda?!  




    






b) análise de conteúdo. Este tipo de análise considera o filme como um relato e tem apenas em conta o tema do filme. A aplicação deste tipo de análise implica, em primeiro lugar, identificar-se o tema do filme (o melhor modo para identificar o tema de um filme é completar a frase: Este filme é sobre . . . )

(http://www.bocc.ubi.pt/pag/bocc-penafria-analise.pdf)





**Do egípcio, causas ocultas.
(De quando os gregos descobriram o eye-liner e andavam, feitos uns panilas, todos maquilhados, e os romanos achavam aquilo bué da esquisito. Chinesices, enfim).




14 comentários:

  1. Que nome se dá a uma pessoa que tem vários heterónimos? ahh já sei.. é ortónimo!!!
    ahahahahhaah
    Muito bommmmmmmmmmm

    Isa

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    1. Uns queriam ser Fernando Pessoa, outros são só estúpidos, outros estão "proibidos" pelo "pai" de contactos aqui com as forças da resistência, de modo que descomprimem em mails caricatos, remetidos por uma pretensa autoridade progenitora.

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    2. Porra. Metade do comentário ficou de fora.

      Queria eu dizer, a seguir ao que já disse, que se podia ir tatuar uma cena qualquer na testa, tipo " ca burra, caralho!" em Paqistanês ou assim, pôr-se piercings nos mamilos, clitóris, sei lá, algo que ocupasse a aridez de espirito e mente com dôr, mas em algo de mais produtivo,belo, prosaico, paisagístico, que esta dôr auto-infligida a si própria. Um par de cornos implantados, por exemplo. Tanta gente que faz e adora, sendo que deve ser coisa pra manter uma pessoa ocupada em termos de manutenção. Mas não. Fazer-se o quê...

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    3. * Anda por ali, naquele meu comentário anterior, um pleonasmo à solta. Deixem-no estar, que é inofensivo. Foi só à mijinha das 15h.

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  2. "mais conhecida por Pink Poison"

    Vou só ali vomitar bué, com esta presunção de que aquela merda é de alguma forma conhecida e se depois conseguir, volto para rir desta falta de noção que, pelos vistos, é genética.

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  3. Não é falta de noção que se diz, Filipa. É cuidado. No sentido de resolverem as coisas- quando as coisas tendem a virar-se contra nós- em privado. Afinal a bichinha agora está a aguardar pela beatificação, falta só o Papa ir ao gabinete despachar o expediente, e zunga. Feito. A 27 de Fevereiro próximo, mando-lhe um terço e o meu número de telefone, como prova de rendição aos seus encantos.

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  4. Não sei se ria se chore. Por agora choro de riso.

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    1. :) The best is yet to come, Mirone.

      Uma gaja nem precisa de pagar pra ir ao cinema, é o que é.

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  5. Alguém que trabalhe para uma produtora de novelas tem que ver isto, está aqui um brutal talento por descobrir... :D

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    1. Não sei de qual de nós estás a falar, mas se não for de mim, aviso já que levo imenso a mal, hã?

      Uma pessoa esmifra-se pra tentar fazer daquilo qualquer coisa com um mínimo de piada, e estas coisas exaurem uma cidadã do Bem & e da Boa Vontade, que ainda por cima, tem que enfrentar as costumeiras críticas do "ai que não havias de estar aó a gozar cos doentinhos".

      Já me estimavam, era masé.

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    2. Tu és um talento natural (posso dizer isto aqui? Natural? Hum?) a dar tareias de meia-noite a quem já está toda negra mas com vontade de levar mais e ainda chega para todos (bem... isto dito assim...), ela (e tenho mesmo que admitir isto) tem um brutal talento para criar personagens e guiões ao mais elevado nível mexicano :)))

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    3. Bem, tenho que dar a mão à palmatoria e admitir que aquilo me tem garantido grandes festivais de gargalhadas. Raves, mesmo, diria até.

      Maneiras que dividimos os créditos, e prontos, não se fala mais nisso.:)

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    4. Acreditas que eu chego a duvidar que a criatura exista realmente? Como é que é possível ser-se tão... tão... tão... como dizer? Tão patranha! E mais incrível ainda é haver quem vá nas cantigas dela... se bem que ando cá desconfiada que a maior parte finge só para lhe ver as mamas :D

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    5. :)

      Desde que fique tudo por aquela aldeia, só se estraga 1 casinha..:P

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